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Biografias de químicos famosos
JOHN DALTON
Nasceu em Eaglesfield, Inglaterra, em 1766. Filho de família pobre, dedicou
toda a sus vida ao ensino e à pesquisa. Com apenas 12 anos, começou a lecionar
matemática na Quaker's School, em sua cidade natal.
Em 1793, estabeleceu-se definitivamente na cidade de Manchester, Inglaterra,
onde lecionou matemática, Física, Química e Meteorologia.
Em 1794, após numerosas observações, Dalton descreveu uma anomalia congênita
da visão, que se caracteriza pelo fato de uma pessoa não distinguir
corretamente entre as cores vermelha e verde. Tal deficiência, que o próprio
Dalton portava, passou a ser conhecida como daltonismo. Estudando o
comportamento dos gases e a dissolução de gases em líquidos, ele concluiu, em
1803, uma lei muito importante que diz "a pressão total em uma mistura de
gases é igual a soma das pressões parciais dos gases que a constituem".
Investigando a composição de diferentes óxidos de nitrogênio, Dalton
estabeleceu a chamada Lei de Dalton, também conhecida como Lei das Proporções
Múltiplas que diz: "Quando dois elementos químicos formam vários compostos,
fixando-se a massa de um dos elementos, as massas do outro elemento variam
numa proporção de números inteiros e pequenos.". Note-se que essa lei foi
estabelecida experimentalmente, a partir da pesagem dos elementos formadores
do composto, pois naquela época ainda não eram conhecidas as fórmulas dos
compostos químicos.
Entre 1803 e 1804, ele estabeleceu as bases da teoria atômica, que foram
detalhadas, em 1808, Novo sistema de filosofia química.
Dalton faleceu, em Manchester, em 1844
(FELTRE, R. Química vol. 1, 4.ª ed., São Paulo: Moderna: 21, 1996.)
LINUS CARL PAULING
Nasceu em Portland, Oregon, Estados Unidos, a 28 de fevereiro de 1901.
Formou-se em Engenharia Química, em 1922, no Oregon Agricultural College.
Doutourou-se, em 1925, no Instituto de Tecnologia da Califórnia. Estagiou a
seguir, nas universidades européias de Munique, Zurique e Copenhague. De volta
aos Estados Unidos, tornou-se em 1927, professor do Instituto de Tecnologia da
Califórnia e, em 1968, da Universidade de Stanford, na Califórnia.
Foi um dos introdutores da Mecânica Quântica na Química, conseguindo
determinar vários princípios que explicam a natureza das ligações químicas
entre os átomos, bem como as propriedades das substâncias resultantes. Estudou
também problemas genéticos decorrentes de estruturas químicas defeituosas nas
proteínas existentes nas células humanas. Na divulgação científica, combate o
fumo e inicia uma campanha pelo uso maciço da vitamina C no combate ao
resfriado comum e como prevenção de certos tipos de câncer. Como pacifista, é
contrário a toda espécie de guerra, e combate veementemente o uso de armas
nucleares; combate ainda qualquer tipo de preconceito racial, religioso ou
científico.
Por seus trabalhos científicos recebeu, em 1954, o Prêmio Nobel de Química e,
em 1962, por sua ação pacifista o Prêmio Nobel da Paz.
Pauling faleceu aos 93 anos, em 20 agosto de 1994, em sua casa na Califórnia,
Estados Unidos.
(FELTRE, R. Química vol. 1, 4.ª ed., São Paulo: Moderna: 83, 1996.)
JOSEPH LOUIS GAY-LUSSAC
Nasceu em Saint Leonard, França, em 6 de dezembro de 1778. Estudou com
Berthollet, na Escola Politécnica de Paris, da qual se tornou catedrático de
Química em 1809, simultaneamente com a cátedra de física da Sorbonne.
Em 1802, Gay-Lussac fez importantes investigações sobre a expansão dos gases,
completando os estudos de outro cientista francês, Jacques Alexandre César
Charles. Fez também ascensões em balões, verificando a invariabilidade da
composição do ar nas altitudes que conseguiu atingir.
Em 1808, sintetizando a água, verificou que sempre dois volumes de hidrogênio
se combinam com um volume de oxigênio. Fascinado pela simplicidade dessa
proporção, estudou outros gases e constatou que a proporção de combinação dos
gases é sempre muito simples. Daí surgiram as Leis Volumétricas de Gay-Lussac,
que muito contribuíram para a consolidação da Teoria Atômico-Molecular.
Gay-Lussac aperfeiçoou métodos de análises químicas, processos industriais de
síntese e, juntamente com Louis Jacques Thénard, conseguiu isolar o elemento
químico boro (1808). Por seus trabalhos foi eleito para as academias de
ciências da França e da Inglaterra. Gay-Lussac faleceu em Paris, a 9 de maio
de 1850.
(FELTRE, R. Química vol. 1, 4.ª ed., São Paulo: Moderna: 303, 1996.)
ANTOINE LAURENT DE LAVOISIER
Duzentos anos depois de sua trágica morte, parece certa a avaliação de
Lavoisier como o fundador da química moderna. Todos os textos de química
publicados antes do seu famoso "Tratado Elementar" (1789) são totalmente
incompreensíveis aos químicos de hoje, salvo a especialistas em história da
química. O "Tratado", ao contrário, pode ser lido com relativa facilidade, e
mesmo com proveito, por qualquer químico. Podemos inclusive aprender sobre
algumas reações químicas, representadas no livro por meio de equações, que
Lavoisier introduziu com base no seu princípio da conservação de massa em
reações. Uma das razões da permanência do "Tratado Elementar" é a nomenclatura
química moderna, que Lavoisier criara em 1787 em colaboração com os químicos
Claude Berthollet (1748-1822), Louis- Bernard Guyton de Morveau e Antoine de
Fourcroy (1755-1809).
O que era conhecido antes como "sabão de vidraceiro", por exemplo, foi chamado
de "óxido de manganês", indicando logo tratar-se de um composto dos elementos
manganês e oxigênio. Mas a importância de Lavoisier como cientista vai muito
além da influência do "Tratado". Parece certo que os conceitos da química e os
seus métodos tornaram-se centrais entre as disciplinas científicas. Quando um
astrofísico determina a composição do cometa de Halley, por exemplo, está
fazendo química. E o começo de todo o conhecimento químico é a análise
química, que nasceu com Lavoisier em sua concepção moderna. Quando ele começou
seus trabalhos, muitas reações, como a combustão do carvão, a calcinação dos
metais, a reação dos cais com o coque, eram interpretadas em termos de um
fluido imponderável, o "flogiston".
A água e o ar ainda eram considerados como elementos, ou matérias elementares,
uma idéia que vinha dos gregos. Apoiado em experiências cruciais, Lavoisier
pôs de lado toda essa parafernália. Algumas experiências foram modificações de
trabalhos de outros químicos, como dos britânicos Joseph Priestley (1733-1804)
e Henry Cavendish (1731-1810), aos quais Lavoisier nem sempre deu o devido
reconhecimento. Lavoisier substituiu as antigas idéias pela concepção de que
as substâncias (materiais ponderáveis, sólidos, líquidos ou gasosos) devem ser
analisadas e descritas em termos de um número limitado de "elementos
químicos". Os elementos, para ele, representavam a última etapa a que se pode
chegar pela análise química. Muitas das suas concepções, como a de o ar
atmosférico ser uma mistura de dois gases elementares, oxigênio e azoto
(nitrogênio), a do papel do oxigênio nas combustões, a descoberta de
composição química da água, são basicamente de natureza analítica. Lavoisier
publicou uma tabela com 32 elementos (hoje já se encontraram 92 na natureza),
mas ele percebeu que algumas substâncias que não tinham sido decompostas, como
a soda e a potassa, seriam no futuro desdobradas em elementos. Quando
Lavoisier se referia à análise química, ele tinha em mente a análise
quantitativa: a água não é apenas formada de hidrogênio e oxigênio (nomes que
criou), mas formada por esses elementos na proporção em peso de uma parte para
oito partes. Isso era conseqüência direta da importância da massa de reagentes
e produtos. Lavoisier tomou como axioma que, nas reações químicas, a matéria
não é criada nem destruída. Ele não alcançou a teoria atômica da matéria, o
que teria permitido escrever para a água a fórmula H20. É provável que, se
sobrevivesse, se anteciparia ao britânico John Dalton (1766-1844), o primeiro
a conceber átomos cientificamente.
Lavoisier é um dos criadores da físico-química, em trabalhos com o matemático
e físico francês Pierre de Laplace (1749-1827) sobre o calor produzido nas
reações químicas (1783) e sobre a capacidade calorífica das substâncias. Para
esses trabalhos, Lavoisier inventou o calorímetro de gelo. Utilizando sua
fortuna particular, fez construir um aparelho que permitia obter resultados
mais precisos do que qualquer outro pesquisador. Foi também com seu próprio
dinheiro que fez construir, pelos artesãos de Paris, balanças de precisão
notável para a época. Lavoisier foi o primeiro a realizar a análise de
substâncias orgânicas, queimando-as em oxigênio e pesando a água e o gás
carbônico formados. Foi assim um precursor da química orgânica.
Em 1789, com Armand Séguin (1767-1835), Lavoisier estudou a respiração do
homem e de alguns animais, medindo o oxigênio consumido, o vapor d'água, o gás
carbônico e o calor produzidos. Concluíram que a respiração é uma forma lenta
de combustão que ocorre no interior dos pulmões. Foi assim um dos fundadores
da bioquímica. Lavoisier não conseguiu, contudo, definir se o calor é uma
substância material (o calórico) ou uma forma de energia. Foi um dos
cientistas máximos da Humanidade. O matemático Joseph Louis de Lagrange (1736-
1813) tinha razão quando afirmou, no dia seguinte ao da sua execução: "Bastou
um instante para cortar sua cabeça, mas cem anos talvez não sejam suficientes
para produzir outra igual".
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