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Resumo de Fedon de Platão

 

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Fedon - Platão
  
O Fedon é um diálogo que envolve opiniões e procura emancipar as pessoas retirando-lhes as opiniões preconceituosas "instauradas" pelos sofistas. Esta obra pretende, ainda, mostrar-nos que dialogar não é uma mera troca de opiniões mas um exercício constrangedor, na medida em que é pondo em causa e objetivando que se dialoga o que se faz com algum sacrifício.
"À idéia de morte associa-se irremediavelmente um sentido de terror. Perante ela, os homens são como crianças perante o papão: constroem representações, fantasias que suscitam um pânico. Cebes e Símias, os dois interlocutores principais de Sócrates no Fedon, dois homens de senso e de razão, pedem ao mestre que os trate como crianças, tanto eles temem não ficarem convencidos pelas demonstrações que lhes propõem e reencontrarem, mal a conversa termine, os seus antigos pavores." A grande questão levantada nesta obra de Platão é: "Será que a alma é imortal?". Não só por ser o problema à volta do qual surgirão outros, mais ou menos pertinentes, mas também porque é uma forma de explicar a serenidade de Sócrates perante a sua morte próxima, fato que espanta os seus discípulos e amigos.
Sócrates vai então dizer-nos que o verdadeiro amante do saber, o filósofo, aspira pela morte, na medida em que é neste momento que a alma se separa do corpo e vai de encontro a um Mundo realmente puro onde poderá entrar em contacto com as idéias e como verdadeiro conhecimento, com a eternidade, perfeição e harmonia. A morte é a melhor sorte que podemos esperar, já que é ela que nos conduz ao conhecimento do Belo e das Essências.
"A Filosofia é o exercício de morrer e estar morto", ou seja, é o esforço da alma em abstrair-se o mais possível do corpo que é visto como um cárcere, como tal, um filtro ao verdadeiro conhecimento. Sócrates afirma que durante a sua existência, a sua alma se afastou de tudo quanto era material e fazia parte do senso comum, ou seja do Mundo Sensível. Sendo assim, ele tinha um lugar assegurado no Hades onde repousam todas as almas que conseguiram a purificação. Falemos, então na Bela Esperança Socrática que deverá ser entendida como uma convicção de Sócrates. Esta sua Esperança baseia-se, em traços gerais, no fato de ele acreditar que o Hades é um local justo pelo que os bons e todos aqueles que sempre praticaram boas ações durante a sua existência, serão felizes eternamente na companhia de outros homens bons e sábios e dos próprios Deuses. Este seu argumento teve, no contexto deste diálogo, duas funções: a primeira, de responder às objeções de Cebes que afirmava ser insensato estar-se feliz com a morte uma vez que seriam quebradas as nossas ligações com os Deuses, já que eram eles que velavam por nós; a segunda prende-se com a resposta que Sócrates pretende dar à problemática do existencialismo, na medida em que, como na vida terrena a felicidade não decorre da Ética, nós deveremos continuar a praticar boas ações para podermos ter o lugar garantido no Hades onde nos é, segundo a Bela Esperança de Sócrates, assegurada a felicidade eterna.
É este, então o ponto de partida de que Sócrates se serve para provar que a alma é imortal, ou seja que preexiste em relação ao corpo bem como permanece intacta após este sucumbir.
Várias objeções vão ser levantadas mas Sócrates, de uma forma serena e inteligente, vai desmontá-las fazendo prevalecer o seu argumento; mantendo, no entanto, a sua posição de que o filósofo, sendo amigo do saber, tem como principal objetivo chegar à verdade e não convencer. Nesta obra vamos ainda dar conta das hostilidades existentes entre Platão (patente nas palavras de Sócrates) e os sofistas: "eu julgo distinguir-me deles (...) em não procurar convencer os assistentes da verdade de minhas afirmações...".
 
Os contrários
Este é um dos argumentos de que Sócrates se serve para provar aquilo a que se propõe, ou seja a imortalidade da alma, aos seus discípulos. Com efeito, ele consegue, em dois pontos do argumento, a concordância de Cebes. Esses aspectos são: aquilo que devém, devém a partir do seu contrário, ou seja todas as coisas nascem do seu contrário, assim, o belo nasce do feio, o pequeno do grande e vice-versa. Do mesmo modo, também os vivos nascem dos mortos e, necessariamente, os mortos dos vivos, o que implica a sobrevivência da alma após o corpo sucumbir. O segundo ponto, que recebeu também o aval de Cebes, relaciona-se com o fato de o processo de devir ter dois sentidos, isto é de um contrário para o outro e deste novamente para o primeiro. Por exemplo: do aquecimento (passagem do frio para o quente) passa-se para o arrefecimento (passagem do quente para o frio).
Podemos, então, afirmar que há um ciclo de nascimento, morte e renascimento. Para que este ciclo se mantenha é necessário que, durante a morte, as almas existam no além (no Hades) de onde regressam para reencarnar, tantas vezes quantas as necessárias até que atinjam a purificação e habitem para sempre no Hades.
As almas são, assim, o princípio da vida, uma vez que são a causa do devir. Sendo assim, a essência precede a existência. Ou seja, nós já somos mesmo antes de nascermos. São estes os pontos mais importantes a focar acerca deste argumento. No entanto, e tal como Cebes afirma, não está provado que a alma é imortal, sabemos sim que ela é anterior à nossa existência e que quando nascemos temos já uma alma destinada. Após o corpo sucumbir, as almas sobem ao Hades, mas "quem chega ao Hades, antes de ser iniciado e admitido aos mistérios, deverá jazer no lodo; ao contrário, o que aí baixar puro e depois de ter recebido a iniciação, habitará em companhia dos Deuses". Sócrates vai recorrer à racionalização da tradição (órfica) de forma a tornar o seu argumento acessível aos que têm e aos que não têm fé. São duas vias de acesso à purificação: uns pela fé e outros pela razão. Esta posição de Sócrates não me convence uma vez que encontrei alguns pontos fracos no seu argumento.
Com efeito, Sócrates diz-nos que tudo tem um contrário donde nasce, e para comprovar tal afirmação dá exemplos: "o grande (origina-se) do seu contrário, o pequeno"; e quando a assistência parece estar convencida, ele transporta estas realidades para uma esfera transcendente, ao encontro das almas. Ora, é esta sua posição que, para mim, não tem razão de ser, na medida em que não deverá ser feita, assim, uma transposição daquilo que faz parte da nossa existência terrena, para o metafísico, tal como a própria palavra nos diz "para além do físico (do sensível, do Mundo Sensível)". É o próprio Platão que diz que o Mundo em que vivemos é em tudo diferente do Mundo das Idéias. Razão pela qual também as almas não deverão aceitar as características das coisas visíveis.
Segundo a Lei Geral do Universo tudo tem um contrário. Então e a alma, será que não tem um contrário? Sócrates não dá resposta a esta questão. Poderíamos, então, ser tentados a afirmar que o corpo é o contrário da alma, mas para que tal acontecesse a alma teria que desaparecer e dar lugar ao corpo. Ora, isto não acontece uma vez que para além de a alma ser imutável e por isso eterna, também não há corpo sem alma já que é nela que reside a razão, o pensamento, os sentimentos e tudo o que em nós é invisível e pelo qual regemos uma parte da nossa existência.Será que podemos afirmar que a alma não tem contrário por ser uma substância simples? Mas rapidamente surgiriam objeções como: o corpo que é complexo também não tem contrário; ou ainda o Belo (por exemplo) que também é simples e faz parte do Mundo das Idéias (tal como a alma) tem o Feio como contrário. Já no final da obra, e porque se deu conta de que a sua posição relativamente à imortalidade da alma não ficou muito clara, e porque devia uma resposta a Cebes, Sócrates vai expor-nos, de novo, a teoria dos contrários.
Com este argumento, Sócrates vai situar-se apenas ao nível do oposto em si "o oposto em si jamais poderá tornar-se no seu oposto". Isto é, um oposto não sobrevive em consonância com o seu oposto. Como por exemplo: a neve que, ao participar do frio, não aceita o fogo (que participa do calor) e, como tal pereceria assim que este (fogo) se aproximasse. A alma, como é um ser em si, não pode admitir o oposto à idéia que lhe está subjacente; ou seja, a alma não admite a morte e, como tal, é imortal. Um outro ponto em que Sócrates se baseia relaciona-se com o fato de que, sendo a alma da mesma Natureza das Idéias, ela não pode ser causa da vida e estar sujeita à morte, caso contrário, todo o mundo mergulhava na Morte.
Mais uma vez, Sócrates transporta aquilo que é da Terra, do Sensível para o transcendente. Tudo o que afirmou está correto e é aceite, mas até que ponto é que isso pode ser afirmado e adaptado às almas é que nós já não sabemos. É muito fácil transpor aquilo a que não sabemos dar resposta para o transcendente, uma vez que nada pode estar errado pois é completamente desconhecido por nós.

 

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