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 Resumo de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima

 

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Invenção de Orfeu - Jorge de Lima
 
Em Invenção de Orfeu, os conteúdos poéticos regionais, negros e bíblicos se fundem à memória toda a infância, às motivações fundas do "id", e a toda gama de valores humanos. 

O domínio seguro das formas fixas (soneto, oitava, rima, sextinas) opera uma certa barroquização das vertente surrealista, com a prevalência da noção estetizante da poesia, vista como ofício de tratar com palavras. 

Invenção de Orfeu realiza uma estranha e bizarra paródia de Os Lusíadas, jogando com alguns motivos recorrentes: a viagem, o descobrimento da ilha, a profundeza da vida e o instinto, os círculos do Inferno e do Paraíso, Orfeu, a Musa ( Amada, Beatriz, Inês). Camões, Dante Alighieri.

Propõe uma espécie de teodisséia ( = odisséia para Deus) centrada na busca, pelo homem, de uma plenitude sensível e espiritual. ressalta a complexidade do estilo vazado num imenso leque de metros, ritmos e estrofações e em formas de difícil elaboração: oitavas clássicas, tercetos, sextinas, etc.

O próprio poeta nos revela seus propósitos, na introdução do poema:

- "Eu pretendi com este livro, que é um poema só, único, dividido em 10 cantos, fazer a modernização da epopéia. Uma epopéia moderna não teria mais um conteúdo novelesco — Não dependeria mais de uma história geográfica, nem, dos modelos, clássicos da epopéia.

Verifiquei, depois da obra pronta e escrita, que quase inconscientemente, devido à minha entrega completa ao poema, que não só o Tempo como o Espaço estavam ausentes deste meu longo poema e que eu tinha assentado as suas fundações nas tradições gratas a uma epopéia brasileira, principalmente, as tradições remotamente lusas e camonianas." 

Invenção de Orfeu (fragmentos)

CANTO PRIMEIRO

FUNDAÇÃO DA ILHA

II
A ilha ninguém achou
porque todos a sabíamos.
Mesmo nos olhos havia 
uma clara geografia.
Mesmo nesse fim de mar
qualquer ilha se encontrava, 
mesmo sem mar e sem fim
mesmo sem terra e sem mim
Mesmo sem naus e sem rumos, 
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar........

 

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